martes, 21 de noviembre de 2017

LA CONTRIBUCIÓN EUROPEA EN EL POBLAMIENTO DE LAS ISLAS AZORES (SS.XV - XVIII)



La contribución europea en el poblamiento de las Islas Azores
 (ss. XV-XVIII) 

Jorge Forjaz
Academia Portuguesa de la Historia



Antes de mais desejo saudar os ilustres palestrantes destas jornadas. É com muita honra e prazer que nelas participo e agradeço muito sensibilizado o convite para aqui estar, partilhando convosco alguma informação sobre o mundo histórico-genealógico dos Açores, um do arquipélagos a que os nossos antepassados chamaram «as ilhas afortunadas», e que hoje se apresentam, juntamente com as Canárias, Madeira e Cabo Verde como a Macaronésia, em que cada parte se apresenta com uma biogeografia e uma biodiversidade únicas no mundo.

  Se os geógrafos e os agrónomos valorizam essa diversidade, a nós historiadores, mais propriamente nós genealogistas, constituídos numa espécie de arqueólogos das almas, compete-nos não só buscar as raízes de onde todos provimos, mas também encontrar os pontos comuns, ou seja, as famílias que são comuns a todo esse largo espaço atlântico.

  A cronologia deve ajudar-nos a definir prioridades no povoamento – e, curiosamente, e como é bem sabido, não foi o arquipélago mais próximo da Europa, o primeiro a ser ocupado por europeus. Refiro-me, naturalmente, às Canárias, sobre cujo povoamento e primeiros tempos não devo tecer quaisquer considerações, pois sobre isso sabeis todos muito mais do que eu. Mas gostaria de começar por referir – até para não fugir muito ao âmbito da minha intervenção – que a família Bettencourt, do vosso Jean de Bettencourt (1362-1425), a quem foi cometida em 1402 a primeira grande viagem de ocupação do território, é, provavelmente a família mais comum a todas as ilhas da Macaronésia, e por conseguinte, poderia ser registada como a progenitora comum de todos nós – assim como há os santos padroeiros, também poderíamos eleger a família padroeira. Se não vejamos:



  Jean de Bettencourt era tio de Meciot, Jean, Henrique e Jorge de Bettencourt, todos filhos de Reignault de Bettencourt. Jean tem descendência em França até à actualidade – dele descende em varonia André de Bettencourt, ministro dos Negócios Estrangeiros em França, casado com Madame Liliane de Bettencourt, recentemente falecida, uma das mulheres mais ricas do mundo (L’Oreal); Jorge casou em Sevilha e teve descendência que mais tarde irá também para os Açores; Meciot  e Henrique passaram com seu tio às Canárias e serão de uma maneira ou outra o tronco de todos Bettencourt  da Macaronésia, a que poderíamos acrescentar o Brasil (via Madeira e Açores) e toda a América Espanhola (via Canárias).



  Prestada esta homenagem que não esquece também que o santo padroeiro das Canárias e da Guatemala era São Pedro de Bettencourt, passemos então ao contributo europeu para o povoamento dos Açores, e que é o tema central da minha palestra.



  Há que definir primeiro o que se entende por povoamento, pois uma coisa é uma primeira geração de povoadores que chegam a uma terra recém-descoberta – os «founding fathers» de que os americanos tanto falam; outra coisa é a sucessiva chegada de gente nova ao território em análise, refrescando o sangue, cruzando-se com as famílias aí estabelecidas, trazendo novos conhecimentos e experiências, enriquecendo a antroponímia local.




  Nesta perspectiva, o povoamento nunca acaba. O cidadão ucraniano que se radicou nos Açores em 1980, como professor de música, que casou com uma açoriana e que tem três filhos que são cidadãos portugueses e falam português com pronúncia açoriana, esses são também povoadores. Há os mais antigos, e há os mais recentes, todos contribuindo para a construção de uma identidade própria.

  Mas é claro que, em termos genealógicos puros, o interesse vai mais na direcção dos tais «founding fathers», que chegaram aos Açores a partir da 2ª metade do séc. XVI.




  Organizemo-nos, antes de mais, em termo geográficos, pois acredito que, tal como eu tive que ir estudar quantas ilhas tem as Canárias antes de viajar para aqui, também alguns dos presentes (se não todos!) também poderão não saber de quantas ilhas se compõe o arquipélago dos Açores

  Falamos de 9 ilhas – Santa Maria, São Miguel, Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico, Faial, Flores e Corvo – tendo a descoberta e ocupação das ilhas sido mais ou menos por esta ordem, de Oriente para Ocidente. São Miguel é a maior ilha com os seus 746 km2, e com quase metade da população dos Açores (ou seja, cerca de 150.000 habitantes), e o Corvo é a ilha mais pequena, perdida a caminho da América, com 17 km2 e cerca de 400 habitantes.



  A história do primitivo povoamento dos Açores é muito discutida, por ausência de documentação segura. Falta-nos documentação relativa aos primeiros tempos da ocupação humana – à data do descobrimento destas ilhas, não havia vestígio de qualquer ocupação humana, embora investigações recentes e muito polémicas comecem a sugerir que tenha havido uma pré-história dos Açores portugueses. Seja como for, e por razões facilmente compreensíveis, essa pré-história ficará sempre fora da nossa história genealógica.



  Voltando ao objecto da minha comunicação – ou seja, o contributo europeu para o povoamento dos Açores – há que esclarecer que tudo o que desembarcou nos Açores (excepto alguns escravos africanos) é europeu, considerando que a Europa começa em Lisboa. Mas, aqui, talvez se espere que eu fale mais da Europa para lá de Portugal, presumindo que, naturalmente, toda a restante população dos Açores é de origem portuguesa. Aliás, e a respeito da população açoriana de origem portuguesa, vale a pena salientar que a antroponímia açoriana se apresenta hoje como um verdadeiro repositório da mais antiga antroponímia portuguesa, mergulhando as suas raízes na alta Idade Média. Chegaram aos Açores no séc. XV e XVI, gente descendente das mais diversas origens geográficas de Portugal – mais do Norte que do Sul, estou convencido – e trouxeram com eles, os nomes do Portugal medieval – Sousa, Vasconcelos, Botelho, Fagundes, Correia, Costa, Melo, Forjaz, Pamplona, Lacerda, Teixeira, Soares de Albergaria, Medeiros, Moniz, Barreto, Corte-Real, Sampaio, Ornelas, Camara (estes dois passaram primeiro pela Madeira), Fonseca, Arruda, Azevedo, Barcelos, Borges, Machado, Evangelho, Figueiredo, Magalhães, Noronha, Rodovalho, Sarmento, Tavares, Távora, e tantos outros. Poderá dizer-se, sem receio de erro, que os Açores são um verdadeiro laboratório antroponímico português, pois souberam resistir à invasão dos patronímicos (Gonçalves, Fernandes, Nunes…) e das alcunhas (Marafusta, Paxica, Pissabarro, Poucochinho ou Terruta, só para vos citar alguns casos do meu dicionário de apelidos bizarros…).



  Mas vejo que volto a afastar-me da razão da minha palestra. O contributo europeu, ou antes o contributo não português para o povoamento dos Açores. É uma tarefa difícil – o tempo de que disponho é curto, se quiser fazer a história dos principais povoadores, daqueles que mais se distinguiram e deram origem a conhecidas famílias açorianas. Seriam algumas centenas… Por outro lado, se eu me limitar a ler-vos uma simples lista de nomes, então bastam-me 5 minutos.

  Vou tentar fazer a síntese e dar-vos um retrato robot, que dê uma ideia genérica do que é a realidade açoriana.



  Logo no princípio do povoamento vamos encontrar o contributo flamengo. E flamengo porquê?



Em finais de 1460 morreu o Infante D. Henrique, senhor das ilhas, que nomeara seu testamenteiro o sobrinho D. Afonso V, e este logo entregou a donataria das ilhas a seu irmão o Infante D. Fernando, que já recebera as ilhas Terceira e Graciosa em vida de seu tio Henrique, e já iniciara o seu povoamento, vendo-se agora com mais 5 ilhas, São Jorge Faial e Pico, no grupo central, e Flores e Corvo, no grupo ocidental. Em 1468 D. Fernando assina a carta de doação da capitania do Faial ao flamengo Jos van Hurtere, que será o tronco dos Utras açorianos. Começava assim o surto de flamengos que chegaram aos Açores no s finais do séc. XV, e que haveriam de marcar o panorama antroponímico açoriano.



Outro flamengo foi Guilherme da Silveira, cujo nome original era Willelm van der Hagen. Hagen, segundo alguns autores quereria dizer silva/silveira. Isto é, no entanto, uma tradição, que em meu entender não tem justificação. Com efeito, o apelido Hagen, que é oriundo da Mosela e Alsácia, corresponde ao alemão hag e quer dizer tapume, valado, cerca, sebe, pelo que não é possível aceitar a tese da tradução. Então como é que se chegou a silveira, que em flamengo se diz braambos (silveira ou silvado)? Ora, sabendo-se que veio de uma terra onde ainda hoje é frequente o uso de sebes de silvados, que produzem as tão apreciadas amoras da Bélgica, não será de admitir que ele próprio, ao encontrar nos Açores os silvados que bem conheceria da sua terra natal, os utilizou para montar sebes protectoras nas suas terras açorianas? O apelido dele queria dizer sebe, mas as sebes fazem-se com silveiras, e se, ainda por cima, ele próprio as cultivou, dai a ser conhecido por Guilherme da Silveira, iria um simples passo. No entanto, episodicamente também se verificou a pura adaptação do apelido estrangeiro à língua portuguesa, e é assim que vai aparecer o apelido Vandraga (óbvia corruptela de van der Hagen), que às vezes foi utilizado em simultâneo com a versão Silveira – ou seja da Silveira Vandraga!



Por outro lado, é de anotar que no contexto do uso deste apelido também surge mais tarde um outro, Casmaca, que, se bem analisado numa perspectiva de significado, nos permite chegar a outras interessantes conclusões. Com efeito, na aprovação do testamento de Margarida Sabuio, mulher de Guilherme da Silveira, o tabelião André Fernandes diz que ela é mulher de Guilherme Casmaca. Certos autores disseram que era da geração dos Kasmach da Flandres, naturais de Maastricht e de Bruges. Ora o nome Kasmach não existe na antroponímia ou na toponímia flamenga, mas, pelo contrário, é palavra conhecida dos dicionários, com ligeira variante. Kaasmaker¸em flamengo, quer dizer, muito simplesmente, fabricante de queijos, ou queijeiro. Guilherme da Silveira, também conhecido por Guilherme Casmaca, o fabricante de queijos, terá sido assim, numa extrapolação não muito ousada, o introdutor do fabrico de queijo na ilha de S. Jorge. Afinal, ainda hoje os Açores, e especialmente a ilha de São Jorge, são grandes produtores do queijo dito «flamengo»!.



Passemos a Willem Van Bruyn (Guilherme de Brum), que nasceu em Maastricht e morreu antes de 1553. Os seus descendentes cruzaram-se com os descendentes de Guilherme da Silveira, atrás referido, e darão origem a uma das mais ricas casas dos Açores - os Brum da Silveira, cujo solar foi demolido cerca de 1940, por ameaçar ruína.



Falta ainda referir outro tronco flamengo – Josse Van Aard, ou Josse Van Aartrijcke, ou Joz da Terra, ou Jorge da Terra. E entre Terras, Bruns e Silveiras, a que poderemos ainda juntar Goulart (Gevaert), Armas (Herrman) e Bulcão (Bolskamp), se resume a parte mais substancial do povoamento das ilhas centrais do Faial, Pico e São Jorge. Mas vale a pena referir ainda um certo Ludolph Bormans, que nasceu em Malines e morreu em São Miguel, grande comerciante, que foi conhecido por Luís Dolfus Burmão. Burmão que, numa evolução um pouco bizarra, acabou por se transformar em Gusmão, uma das grandes famílias de São Miguel – os Botelho de Gusmão, que nada tem a ver com o Gúzman espanhol.



E a propósito, devo também lembrar aqui o fortíssimo contributo hispânico – ou antes, castelhano, andaluz, leonês, galego, basco ou biscainho, aquilo a que nós portugueses, chamamos, muito prosaicamente, o contributo espanhol.

Logo nas primeiras gerações de povoadores, encontramos D. Pedro Abarca, nasceu em Tuy, na raia da Galiza, cujos 3 filhos se ligam aos Corte-Real, Borges e Canto, sendo assim antepassados de praticamente toda a fidalguia da ilha Terceira.




Pedro Rodriguez de Aguilar, mercador biscainho, vereador da Câmara de Angra em 1584; ou Pedro Álvares Peralta, outro biscainho, que também passou à ilha Terceira;



Tomás de Pórras, de uma família leonesa, almoxarife no Faial antes de 1550, irmão de Braz de Montojos;



Mas o principal contributo espanhol verificar-se-á durante os 60 anos da monarquia dual, por força da presença permanente de um regimento espanhol nos Açores. Construíram a famosa Fortaleza de São Filipe (em homenagem ao seu Rei), a qual será em 1640 rebaptizada como Fortaleza de São João (em homenagem ao nosso Rei D. João IV). Durante 60 anos, oficiais, sargentos e praças casaram com mulheres açorianas, principalmente terceirenses. Em 1640 o Regimento regressou a Espanha, mas ficaram atrás centenas de descendentes das 3 gerações que ao longo de 60 anos passaram nas ilhas.  Fiz pesquisa em todos os registos paroquiais da cidade de Angra, especialmente na paróquia da Sé Catedral, de quem dependia a Fortaleza. Encontrei centenas de casamentos com espanhóis, sendo a maioria de soldados com nomes vagos e que se perdem no anonimato. Mas poderei aqui lembrar alguns nomes que ainda hoje se encontram na sociedade açoriana.




  D. Gaspar Munhoz de Castilblanco que chegou numa das primeiras guarnições espanholas da ilha, casou em 1597 e morreu em Angra em 1637. Com vasta e ilustre descendência – eu próprio sou descendente dele.




  D. Gaspar Molero de Espinoza, nascido em Espinoza de los Monteros, arcebispado de Burgos e morreu na Terceira, alferes do presidio castelhano.

  D. Hernando Ortiz del Rio, nascido em Valladolid e morreu em Angra em 1600. contador da gente da guerra e provedor das frotas reais. Um seu neto casaa com uma senhora de apelido Brito, e dará origem à família Brito do Rio, ainda hoje muito conhecida.
  D. Diego Pizarro de Vargas, nasceu em Trujillo e morre em Angra. Era parente de D. Francisco Pizarro, conquistador do Perú, e de D. Hernando Cortez, conquistador do México (cuja mãe era prima direita de Francisco Pizarro). Morreu em Angra



D. João de Toledo Piza (conhecido no documentos locais como D. João Castelhanos) nasceu cerca de 1545, participou na batalha de Lepanto em 1571, e ; em 1583 chega aos Açores na armada de D. Álvaro de Bazan onde perdeu um olho na batalha naval de Vila Franca do Campo (o maior recontro de toda a campanha de Filipe I contra os insurgentes portugueses, de que resultaram mais de 2500 mortos e a execução maciça dos vencidos). Passou a pertencer à guarnição de Angra, casou duas vezes e morreu em Angra em 1625. Tem inúmera descendência nos Açores e no Brasil (dele descende a Rainha Sílvia da Suécia)
.

E encerro esta primeira lista com referência a D. Alonso Cimbron, que nasceu na paróquia de Santiago em Ávila, a 11.5.1562 e morreu em Angra a 6.5.1642, tenente do presídio espanhol, o qual fundou uma capela na Igreja de Santo Inácio de Loyola, do Colégio dos Jesuítas, sob invocação de Santa Teresa de Ávila, cuja canonização decorrera há cerca de 20 anos. Terá sido, porventura, o primeiro altar em Portugal a venerar a tão conhecida doutora da Igreja. E não terá sido por acaso esta escolha do tenente do presídio, pois havia um vínculo que os unia. Com efeito, a prioresa do Mosteiro da Encarnação no Carmelo de Ávila onde Santa Teresa (D. Teresa de Cepeda e Ahumada) professou em 1535, era a sua prima a Madre Maria Cimbron, que, só por coincidência, não será prima do nosso tenente.



Coisa curiosa – D. Alonso Cimbron não teve filhos, mas nomeou herdeiro o sobrinho da sua mulher Agostinho Borges de sousa, com a condição de passaraa usar o se apelido. Assim se constituiu a família Borges de Sousa Cimbron, que ainda hoje vive em Ponta delgada – e não tem sangue Cimbron!



O sangue francês também gira em algumas veias açorianas.

João de Arriaga, de origem basca, mas nascido em Bayonne em 1652, morreu na Horta, Faial, em 1716, rico comerciante, cônsul de França, e antepassado do Dr. Manuel de Arriaga, o primeiro presidente eleito da Republica Portuguesa. E com ele chegou também ao Faial, o seu conterrâneo Domingos de Chegaray, n. em Bayonne   1661 e falecido na Horta  em 1731.

Germano Arnaud, nasceu em Sedan, Ardenas, França, em 1690 e morreu na Ribeira Grande, S. Miguel, onde casara em 1718. Foi o director da única fábrica de tecidos que houve nos Açores. Tem descendência até hoje nos Açores e em Lisboa, entre os quais o grande transitário e agente de viagens Germano Serrão Arnaud, com sede em Lisboa.
Gedeão de Labat, nasceu em em La Rochelle, Charente, França, cerca de 1644 e f. na Horta  em 1707, mercador. Com geração até hoje.
Jean Angel Négre, nasceu em Marselha e morreu em Angra em 1709. Foi cônsul de França na Terceira, onde deixou descendência.
Hugues Fournier Leclair De Choisi, nasceu em Monclar, Bordéus,  em 1757 e morreu em Angra  em 1839. Tenente da Marinha Francesa, refugiou-se nos Açores em 1790 para fugir à Revolução Francesa, em larga descendência na Terceira. .
Antoine Sieuve de Séguier, nasceu em Marselha em 1660 e morreu em Angra em 1720. Foi comerciante e cônsul de França. Tem muita descendência na Terceira.
Joseph Gambier, nasceu em Saint Malo, França, cerca em 1706 e morreu em Angra em 1786. Médico e cirurgião, tem muita descendência na ilha de São Jorge.
Jacques Berquó, nasceu em Mont-de-Marsan Landes, França, em 1645 e morreu na Horta em 1715. Homem de negócios e cônsul de França na Horta.



Passemos uma rápida vista de olhos pelos ingleses.
José Blayer, nasceu em Londres e morreu na ilha de São Jorge em 1747. Comerciante, com muita descendência em São Jorge.
  William Fisher (ou Guilherme Fisher), nasceu em Norfolk, Inglaterra, em 1640 e f. em Angra  em 1714. Fez uma grande fortuna no comércio e tem hoje inúmera descendência que ainda usa o nome Fisher
Andrew Curry, nasceu na Escócia e morreu na Horta em 1756. Grande comerciante em Ponta Delgada e depois na Horta. Tem uma bisneta que casou para San Petersburgo com o Príncipe Constantin Meschersky, cujos filhos foram fuzilados durante a revolução bolchevique. É antepassado do médico Curry Cabral, um dos mais destacados epidemiologistas portugueses do séc. XIX.
  William Street, nasceu em Londres e morreu na Horta cerca de 1712. Grande mercador na Horta, antepassado da família Street de Arriaga, condes de Carnide.
  James Stone (ou Diogo Stone), nasceu em Londres em 1630 e morreu em Angra 1700. Foi cônsul da Inglaterra em todas as ilhas. Tem descendência até hoje em São Miguel (a família Camara Stone).
  Timothy Thouzend, nasceu em Warwick em 1620 e morreu em Angra  em 1672. Comerciante em Angra.
  E finalmente outro cônsul inglês nos Açores, John Whyton, nascido em Inglaterra cerca de 1680 e que deixou inúmera descendência na Ilha do Faial.



  Para terminar esta sucinta abordagem aos estrangeiros que contribuíram com o seu sangue para a definição da imagem açoriana, uma breve passagem pelos italianos.
  Desde logo, os irmãos Cacenas. André, Francesco e Luca, naturais de Génova, que negociavam o pastel e linho entre os Açores, Sevilha e as Canárias.

  António Spínola Dória, de Génova também, onde nasceu nos finais do século XV, e que é o tronco da família na ilha Graciosa, onde é hoje um dos apelidos mais comuns, sob a forma Espínola.

  Agostino Imperiale (ou Agostinho Imperial), patrício de Génova, fidalgo de cota de armas, por carta de brasão de 17.6.1529, uma das poucas pessoas que escapou vivo da erupção do vulcão de Vila Franca do Campo em 1522, segundo conta o nosso cronista Gaspar Frutuoso, que também dedicou alguma atenção às Ilhas Canárias num dos volumes das suas Saudades da Terra, em boa hora editada pelo Instituto de Estudos Canarios em 1964.

  Gaetano Petra Ricardo, nascido em Génova em 1720 e que se estabeleceu como cabeleireiro em Angra e que chegou a ser guarda do ouro e dos diamantes de uma corveta que arribara a Angra em viagem da Bahia para Lisboa! Casou e teve filhos que cuja descendência mantem os nomes Petra Ricardo.

A antroponímia açoriana foi enriquecida com este contributo europeu, que pode bem dividir-se em dois momentos – um que se segue logo à descoberta dos Açores, em que a maioria dos nomes são adaptados ou traduzidos, afastando-se tanto da matriz original, que nem se compreende que sejam estrangeiros (Van der Hagen, que dá Silveira, por exemplo), e um segundo momento, a partir dos séc. XVII, em que a grafia de praticamente todos os apelidos foi rigorosamente respeitada, embora a pronúncia se tenha compreensivelmente alterado em alguns casos.

E por sobre todos perpassa, como disse no princípio, o nome Bettencourt, sempre correctamente escrito por todos os descendentes actuais, qualquer que seja o seu estrato social, e que é comum a todas as ilhas dos Açores.









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